quarta-feira, 8 de abril de 2009
"SOU UM CORAÇÃO BATENDO NO MUNDO."
quarta-feira, 4 de março de 2009
AMOR E PAIXÃO

Paixão: Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão; Amor ardente; Inclinação afetiva e sensual intensa; Entusiasmo muito vivo por alguma coisa; Atividade, hábito ou vício dominador.
O meu coração pode até, vez ou outra, se confundir. Mas o Aurélio não mente. Paixão e amor: qual seria a diferença? Onde será que termina um e começa o outro? Ou será que os dois sentimentos são inseparáveis e confundíveis?
Fomos habituados a entender a paixão com uma certa vulnerabilidade. Estou errada? Uma ardência efêmera que vai embora com a mesma facilidade, rapidez e descontrole com que chega. Paixão é o diagnóstico que nossos pais fazem de tudo o que sentimos enquanto somos jovens. Pela vida, pelo outro, pelo que fazemos, por um ídolo ou pelo que quer que seja: é sempre a paixão avassaladora, inconseqüente, atrapalhada e muitas vezes até errante. Dignos de se apaixonar, com toda a intensidade que a paixão carrega. Com direito a todos os sonhos impossíveis, malucos, incoerentes. Com toda a pressa e o suor da juventude. De todo o coração.
Mais tarde, nos tornamos adultos e ganhamos o direito de amar. Afinal, amar seria algo sério demais pra nossos coraçõezinhos pequenos que, aos olhos do mundo, mal sabem distinguir um sentimento do outro. Agora sim, amamos de verdade. O amor sim é seguro, é calmo, é tranqüilo, é pra sempre. Não é assim que a gente aprende? O amor é pacífico, saudável, tolerante, tem chances de ser eterno e pede casamento, compromisso, hora e encontro marcado. Dignos de amar, com toda a serenidade e seriedade que o amor carrega. Com direito à amizade, companheirismo e fidelidade pra vida toda. Até o fim da trilha. E com todo o comprometimento da maturidade.
Fomos ensinados que a paixão vai embora e deixa apenas o amor. Sozinho na estação esperando um trem que nunca chega. O amor ali, plantado. Esperando algo que o faça sentir e que desperte o que quer que seja. E a paixão nunca mais volta, leva embora consigo tudo o que é belo, novo, encantador. É assim a vida cônjuge da maioria dos casais. E é assim mesmo que todo mundo diz que tem que ser. Se fica o amor, as pessoas continuam juntas, mesmo sem intensidade, sem pressa, sem loucura, sem inconseqüência. É um sentimento maduro, livre das turbulências, dos encontros e desencontros inesperados, das surpresas, dos beijos intermináveis. É uma convivência monótona que, lá fundo muitas vezes carrega consigo um desejo de libertação. Não seria vontade de libertar-se do outro, mas de libertar-se daquela mesma realidade que persegue há anos sem mudança. Sem nada acontecer sem que haja milhões de planos ou agendas de mil folhas. É uma repreensão quase absoluta, um verdadeiro cárcere.
Conheço alguém cujas idéias são realmente revolucionárias e inusitadas que me disse que não acredita no amor pela companheira. Mas que acredita em algo muito maior: a paixão. Apaixonar-se todos os dias pela mesma mulher. Parece lindo até aí, não é? Mas não amá-la. Parece rude e até meio “animal”, certo? À primeira vista, entendemos a paixão como algo unicamente instintivo. E talvez até seja. Confesso que a princípio a idéia me chocou e eu preferi nem pensar a respeito pra não correr o risco de concordar, porque seria duro desacreditar no amor pelo ser tão procurado, essa tal alma-gêmea.
Será que essa paz de quem ama não seria justamente quem tira a euforia da paixão? Será que não é justamente o amor que faz as relações perderem o ápice, a inquietude, a loucura, o desejo, a tentação, a perdição? Será que o amor não é mesmo o encontro errado e marcado quando, na verdade, o que sustenta a relação é justamente o imprevisível? Que ironia se for mesmo assim! Logo o amor que é o que a gente mais procura, é o assassino cruel das emoções. O Aurélio mesmo confirmou que a paixão é um amor ardente. Então, a paixão é mais que amor. É o complemento do amor que, quando morre, reduz todas as reticências à simples pontos finais. Noites nunca mais serão mal-dormidas, regadas de insensatez. Dias não mais serão cheios de saudade e ansiedade para a noite que está por vir. Porque essa noite será como todas as outras. De sono. E não mais de sonho. Quem ama respira enquanto quem se apaixona – e o melhor, se apaixona todo dia – sempre, sempre inspira.
Então eu grito:
AFRODITE: TRAGA-NOS DE VOLTA A INS-PIRAÇÃO!
domingo, 1 de março de 2009
QUALQUER COISA QUE SE SINTA
O que eu quero é o estalo dos dedos. É o morder da maçã. É o beijo roubado. É o encontro não marcado. É o choque. É a felicidade, é a tristeza, é a raiva, é o amor e é o que mais vier e se apresentar como sentimento. Eu quero é o sonho que ninguém nunca sonhou. Mas que mesmo assim virou realidade. O pensar é longo. Demorado. Introspectivo. Devagar. O sentir é furioso. Agudo. Desesperado. Inesperado. Eu quero a surpresa, e não mais o mistério. Chega de investidas investigadas. Chega de procurar o que eu não conheço e temer. Eu quero o encontro. A descoberta. A vida.
Mil idéias ao mesmo tempo. Um turbilhão de emoções que vêm à tona de repente e me deixam frente a frente comigo mesma numa descoberta explosiva do eu que eu mesma desconhecia. Quero quebrar um espelho agora, e ter sete anos de sorte. Tem jeito? Não me interessa o ouro que se esconde atrás do arco-íris. Quero justamente o pote que guarda esse ouro. Tem explicação? Quero entrar em uma espécie de êxtase profundo. Quero até o oriente. Quero norte e sul. Quero você, que eu não conheço. Que talvez não exista. Que eu não sei onde mora. Que eu não sei se fala português. Mas que fala a mesma língua do meu coração. Quero você, que vai me fazer intensa na dor e na alegria. Que vai me fazer gritar, cantar, sorrir, chorar, sentir e, finalmente SER. Que vai filosofar comigo por noites e dias sem se cansar. Quero você, que vai me fazer sentir a liberdade que eu tanto procuro, mesmo quando eu estiver nos seus braços.
Risca em pedra e palavra o meu nome.
Rabisca em corpo e alma o meu amor.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
QUE CHEGUE LOGO A QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Pode parecer meio antipático da minha parte (e na verdade, é), meio anti-social, meio careta e o que mais você quiser que seja. Aliás, diga a meu respeito o que você quiser, tudo bem? É isso aí. Eu não gosto das musiquinhas do carnaval, eu detesto as cantoras que sobem no trio elétrico (e isso inclui SIM, aquela esquizofrênica que se diz Joelma e que todo mundo já está cansado de saber que foi traida pela lua). Acho ridículo o dinheiro que é gasto pelas escolas de samba e mais ridículo ainda aquelas mulheres semi-nuas (as que estão desfilando e as que não estão mas que querem dar).
Resumindo: eu acho o carnaval a data mais besta do calendário. Aliás, quem souber o que é comemorado no carnaval, por favor, me conte. Porque até o dia das bruxas pra mim faz mais sentido.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
SÃO DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ.
Nosso zodíaco deve mesmo combinar. Nossos signos devem ser os irresponsáveis – digo, responsáveis – por tamanha atração de almas, corpos e corações. Eu, que andava tão incrédula, encontrei você, que anda sempre tão inalienável, compenetrado. Eu, que sempre gostei que me desafiassem, encontrei você, que me desafia só com o jeito de olhar. Eu te coloco à prova e aprovo. Você me aquece e me enlouquece. Eu te analiso e você me dá um beijo. Você me desembaraça, eu acho graça. Você adivinha o que eu quero e eu, com os dois pés atrás, invento outra coisa pra não confessar que você é quase um bruxo. Você beija meu sorriso e abraça meu coração. Você me invade, eu não aceito. Como é que pode? Que laçada foi essa?
Eu te digo: você é um perigo. Você me diz: você é meu amor. Essa paixão que eu julgava indigerível, agora me mata de fome. Fome desse sabor que é ser de você. Logo eu, que quando criança adorava casos de detetive e aventuras, encontrei você que por si só é um mistério pronto. Um prato cheio pra mim. Uma paixão que nem cabe no peito de uma apaixonada declarada como eu. A paixão por tantas coisas já ocupava todo espaço e agora veio você e eu não sei como encaixar. Que façanha essa sua de inventar de me conquistar. Que coragem essa sua pra despertar tanta coisa em mim que eu te dei certeza que não existia e acabei quebrando a cara. Porque tudo, como você previu, existia. Responde como foi que você entrou assim na minha vida, no meu celular, na minha casa, nos meus dias, nas minhas fotos, nas minhas melhores lembranças, no seleto grupo das pessoas que eu amo de verdade, nos meus pensamentos mais íntimos, nos meus sorrisos, no meu coração? E o meu pára-choque? Nada amorteceu e deixou você chegar assim, sem que eu ao menos percebesse?
Mas agora não me deixe apenas esse meteórico amor. Não me deixe apenas essa incessante interrogação, essa flecha bem no meio do peito e essa lembrança de ápices que não voltam mais. Já não somos os mesmos e nunca mais seremos. E o que eu tenho pra te oferecer é isso aí: palavras bonitas, alguns livros da minha deusa Clarice Lispector (emprestados, sim?), a insanidade em que eu vivo todo dia e a inteira entrega de mim mesma. Pra você.
ps: O Bate-Coração é SIM, um lugar onde eu me exponho e mostro tudo o que sou, que vivo, que sinto, que amo. Mas nem sempre ele me é um diário. Eu escrevo. Não só o que EU vivo. Ainda que eu procure trazer o máximo da minha realidade pra cá, muitas vezes meus textos são frutos do que eu vejo e da maneira com que eu sinto a realidade de outras pessoas também. Agradeço muito as pessoas que tem acompanhado o blog. É um incentivo, uma motivação enorme saber que o que escrevo, de um modo ou de outro, tem tocado alguém. ( :
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
TEM QUE SER AGORA

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
INTENSAMENTE É COMO EU QUERO VIVER A VIDA

Acho que sou demais. E quando digo que sou demais, não pense que estou me elogiando, porque detesto gente que se elogia. Demais é um advérbio de intensidade. Aprendeu? Anota e nunca mais esquece. Intensamente é como eu quero viver a vida. Talvez seja esse o meu pior erro. Sou extremamente. Sou até cansar. Até enjoar. Excessivamente apaixonada. E dói. E cansa. É triste admitir uma verdade: às vezes me sinto mais completa quando estou triste do que quando estou feliz. Acho que é porque a felicidade plena não existe. Nunca estaremos completamente satisfeitos. Já na tristeza, a gente chega ao fundo do poço e aquilo nos alimenta de uma tal forma que a felicidade e a plenitude passam a existir principalmente na amargura. E é assim que eu gosto de me sentir. Plena. Completa. Complexa. Mas hoje eu estou amarela e plena. Isso é raro. É incontestável o quanto eu sou estranha, extremista e o quanto eu tenho me tornado mais e mais liberalista. Pois é. Preconceitos eu nunca tive. Fui criada assim, fui ensinada assim, com essa idéia mais que correta de que as pessoas merecem igualdade no respeito, nos direitos, nos deveres. Mas ultimamente tenho aceitado quase tudo. Não estou mudando a minha personalidade. Continuo vivendo intensamente pelo simples fato de sentir tudo muito bem. Tá confuso? Não importa. Eu estou vivendo. E até então, nunca precisei de muitas inconseqüências pra garantir isso. Mas aceito numa boa quem precisa. Assumo isso agora, nesse instante. Eu sou intensa só pelos meus sentimentos, não abuso de uma juventude desenfreada, mesmo sendo jovem. Sou intensa quando escuto música, principalmente. Nesse momento é como se eu estivesse cometendo todas as possíveis e bárbaras loucuras que se pode cometer numa vida ou como se fugisse de toda a realidade que aprisiona. E como dói o que aprisiona! Eu tenho é fome. De quê? De liberdade. Tenho vontade de sacudir o mundo. Tenho vontade de que todos me ouçam. E me respeitem. E não me entendam. E é esse o meu objetivo: me desfazer das amarras que insistem em me prender, em me segurar. As amarras que estão dentro de mim são as mais perigosas. E é delas que eu não gosto. Das outras não tenho medo. Com as outras eu bato de frente e canto vitória antes da batalha começar.
Adoro quando minhas idéias se misturam. Acho ótimo quando esqueço do que estou falando. Gosto que me admirem justamente pelas constantes incoerências. Pelos meus exageros. Mas são exageros bons e por isso, dignos de admiração. Exageros no amar. Amar demais dói (e como dói). Mas no fim acaba valendo à pena. Se expor. Se mostrar. Não se envergonhar. Eu não me envergonho de nada do que fiz em nome do amor, porque nunca prejudiquei a ninguém, senão a mim mesma. Nada deu certo e nem por isso eu virei hippie. Sofri. Levantei e continuei vivendo sem arrependimentos. Eu fui completa em todo aquele sofrimento. E se alcancei a plenitude na qual me encontro hoje e à qual valorizo tanto como principal virtude de um ser humano, é porque doeu um dia. Foi dor intensa. E que toda intensidade seja perdoada e eternamente louvada. Que toda insanidade seja incompreendida. Não. Lê direito. É isso mesmo: incompreendida! O bom mesmo é quando ninguém entende. Tenho dito. Queria sair por aí viajando sem dizer pra onde. Sem nem saber pra onde. Assim é que é melhor. Queria nem ter casa. Queria nem ter dono. Queria nem ter nada, só a vida. Só a vida e o amor. O amor que é universal, que não tem explicação. E nem precisa. O entendimento às vezes nos tira toda pureza do sentir. O amor de que falo é bonito e eu o carrego e sempre vou carregar no coração: o amor pelos meus pais, que são as únicas certezas que eu tenho nessa vida.
Sou feliz porque sou uma pessoa de propósitos. Tenho minha vida toda na cabeça. Pode ser que aconteça tudo diferente. Mas sonhar eu sonho. E risco todo o meu caminho pra na hora H acabar me perdendo e me encontrando, infinitas vezes. Não importa. Eu sei onde quero chegar. Só trilhei o mais possível caminho por onde vou passar. Mas esse caminho nem me interessa. Seja o caminho que for, o importante é chegar até a vida de verdade. Até minhas viagens, minha música, minha arte. Até minhas vontades, minha realidade surreal, até o meu hibisco. Que é meu e vive pra me aguardar. Meu hibisco é meu espaço e meu futuro. É meu sonho e minha realidade. E é tudo o que há entre sonho e realidade. Entre eles me há.
sábado, 27 de dezembro de 2008
CHUTANDO O BALDE

Fiquei pensando que motivos teria uma mulher ou mesmo um homem independente pra não dar um basta em uma situação que não lhe faça feliz. Mas eu entendi os motivos. E entendi muito bem. A contemporaneidade chegou pra mandar direto pro lixo todos os velhos conceitos que hoje permanecem vivos apenas em antigas e tradicionais famílias, geralmente do interior. Mas apesar disso tudo, chutar um balde não é tão fácil quanto parece. E não é pela mesma desculpa que todos os atrasados e desencorajados empregam: os filhos, a dependência financeira, a falta de dinheiro, as complicações de uma separação... Não! Não é SÓ isso. A dependência é muito mais emocional que financeira, ainda mais no mundo individualista em que vivemos, fica claro que uma separação não te assegura encontrar outro companheiro. O medo da solidão chega, às vezes, a ser mais forte do que todos os conceitos inovadores e libertadores que essa época nova nos trás. O medo da solidão chega, às vezes, a ser mais forte do que a certeza de um amor que acabou, de um inferno que existe e insiste em determinar que um relacionamento, definitivamente, não tem mais saída.
Mas ainda assim, alguns permanecem juntos. Mesmo que hoje em dia uma simples palavra torta seja motivo pra se jogar tudo pro alto, voltar pra casa da mãe, pedir o divórcio e partir pra outra porque, como dizem, a fila anda. Sim, é verdade, eu já ia me esquecendo da fila, uma das idéias contemporâneas que julgo ridículas. Ninguém está na fila de ninguém. É como se todos nós fossemos simples objetos a serem adquiridos ou possuídos apenas momentaneamente. E eu me recuso a aceitar que é assim que somos: descartáveis. Porque se você é, eu não sou.
Pois bem. Imaginemos tudo ao pé da letra pra entender o quanto é difícil chutar o balde. Imagine o balde. Imaginou? Agora imagine uma água suja dentro dele. É assim que, possivelmente, está a sua relação. Suja, desgastada, nojenta, podre. Pronta pra ser jogada fora, mas você tem pena. Não é pena de si mesma. Não é pena do outro. É pena da água suja que foi colocada ali com tanto zelo, que de repente, durou tantos anos. E era tão limpa e agora você olha com tristeza para o que sobrou e guarda. Guarda como se achasse que aquela água pudesse, algum dia, voltar a ser limpa. Você não entende que aquela água já era. Que você pode até, junto com a mesma pessoa, tornar a encher o balde. Mas que vai ter que ser outra água. Você não percebe isso, se prende. E por mais desprezível que aquela água pareça, você ainda guarda. Ainda que você mesma já sinta imenso nojo, você não chuta o balde.
Tudo bem. Já entendi o porquê. É muito mais difícil chutar o balde quando você é o balde e parte do que há nele. Achou estranho? Mas é simples. Você, que já viveu um amor desgastado, sabe muito bem que há momentos em que a única que ainda zela pela água suja é você. A única que impede que ela entorne. A única que continua mantendo-a ali. Todo mundo sabe que aquela água é suja. Você também sabe e também morre de nojo, mas ainda a sustenta e mantêm presa. Então você é o balde. Ficou claro? Você sabe que, quando o esperado chute do balde realmente acontecer e a água entornar e cair, você cairá junto, não tem jeito. A água vai continuar correndo e tomar seu rumo, mas você vai ficar ali, no chão, sozinha. Vai virar balde vazio que, sabe-se lá quando estará cheio de novo, afinal, encher aquele balde e purificar sua água foi tão difícil e ainda não durou pra sempre, porque logo a água se sujou. É isso, não é? Pode dizer, confesse. E você passa a se sentir parte da água suja. Aliás, você é. Tanto você dedicou àquela água, tanto você a amou... Tanto de você foi só em prol da água que você pensa que não há suficiente de você em você pra você seguir sozinha. Você é mais pelo outro do que por si mesma. Mas saiba que a gente se regenera. No início a gente é tão pouco sem o outro. Ele roubou tanto de nós, levou quase tudo e só deixou tristeza, amargura e solidão. A geladeira é sua, o freezer é meu. O computador é seu, a televisão é minha. Por mais que tudo tenha sido partido tão justamente, você sente falta de um monte de coisas. Sente falta da sua parte que ele levou. Que ele sugou de você como se fosse um vampiro... Mas cada célula nossa se multiplica, se fortalece e se renova o tempo todo. E logo você terá orgulho de quem é. E só assim alguém terá orgulho de você, orgulho de te amar.
Aí você poderá encher outro balde. Só que dessa vez, eu te aconselho a não deixar de ser você e ter a sua vida pra ser apenas balde de alguém ou da união entre você e alguém. Você e o outro têm que carregar lado a lado. Quanto mais pesado ele estiver, melhor. Mais coisas vocês construíram juntos e mais coisas têm pra dividir. Isso se chama companheirismo. E eu espero que, em 2009, o seu balde se encha de coisas boas e que você saiba filtrar a sua água da melhor forma possível. E que, independente de você carregar o balde sozinha ou dividir o peso com alguém, que você seja feliz e que se orgulhe de você, do seu balde e da sua água. Que ela seja pura, límpida, clara e, SE POSSÍVEL, eterna.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
A NOSSA ALEGRIA
Aconteça o que acontecer
Nada e nem ninguém vai mudar
Tudo isso que eu sinto por você
E o isso não tem nome
Não tem modo, não tem forma
Isso é isso tudo
Que o coração nunca decora
E é por isso que ele dispara
Bate descompassado como o amor meu
E é por isso que a gente continua cantando
A alegria desse tudo que é todo seu
Ator da minha vida
Senhor da minha história
Serei tua flor
Tua cor e tua dor
Mas por favor:
Entenda o meu humor
Que eu adoro o teu odor
Que eu suporto o teu vigor
E esse teu pudor
Faz de mim o teu calor
Do meu beijo, tua magia e poesia
E do meu mais profundo incolor...
A nossa alegria!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
EU SOU GENTE

Gente que se emociona todo dia. Gente que chora e ri e não sabe o motivo. Gente que chora e ri ao mesmo tempo, mas que ri de quase tudo. Gente que faz brincadeira idiota, gente que parece meio doida, mas no fundo sabe muito bem o que quer. Sou gente que escreve escutando Belle and Sebastian (como agora). Gente que tem gastura de piercings no umbigo (!!!), de gente que conversa cutucando (embora eu também cutuque de vez em quando) e mais gastura ainda de que cortem minhas próprias unhas dos pés (???).
Gente que pinta a unha antes de ir dormir e acorda com ela toda amassada e nunca aprende a lição. Gente que passa lápis todo dia e que, de vez em quando, tem inflamação nos olhos por causa disso. Gente que tem os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Gente que quer ser independente e não sonha mais em casar, por achar (e às vezes até ter certeza) que nunca vai encontrar alguém com os mesmos planos, idéias e ideais. Gente que já deixou de acreditar em muita coisa e que, muito cedo viveu coisa de gente grande, mas nunca reclamou disso. (Ela bem que queria ser grande). Gente que tem coragem pra questionar o Deus, o amor, pra questionar a vida e questionar os outros, mas que morre de medo quando o assunto é si mesma.
Gente que muda de humor mil vezes durante o dia e que tem sérios problemas quanto a choques de felicidade aguda e incontrolável, repentinamente. Gente que nem sempre sabe do que está falando, que gagueja de vez em quando e que vive com um “o quê?” na boca, pra ganhar tempo pra pensar no que vai responder. Gente que fala sem pensar, que age por impulso todas às vezes e, por incrível que pareça, às vezes até faz a coisa certa. Gente que tem dó de pouca gente e que chora baixinho antes de dormir de vez em quando pensando o que seria da sua vida sem seus pais. Gente meio boba, meio burra. Às vezes muito sentimental e outras vezes muito fria e calculista. Gente como você. Gente como a gente, que tem um monte de caras, um monte de risadas (da mais escandalosa até aquela do tipo “nem teve graça...”). Gente que tem sua própria personalidade e não é nada influenciável. Gente que sente saudade, raiva, alegria, tristeza (às vezes tudo ao mesmo tempo). Gente que não tem sangue de barata. Não tem teto de vidro. E que aprendeu a não estar nem aí pra quem não tá aqui, me tolerando desses tantos modos.
Esse texto é pra quem tá aqui. Comigo. É pro meu pai e pra minha mãe, que me amam incondicionalmente, mesmo sabendo que eu não sou fácil. Sabendo dos meus venenos, das minhas angústias, dos meus milhões de defeitos, dos meus perigos, dos meus amores. Meus pais são minha única certeza. Eles sim. Sabem de tudo. Sempre souberam. Sempre fizeram parte. E sempre vão estar aqui. Sabendo das minhas fraquezas, medos, crises. Conhecendo meu sono e meu sonho e lutando pela minha felicidade tanto ou mais que eu mesma. Sabendo da minha gula com comida gostosa e das minhas manias mais idiotas. Mas sabendo ainda que, apesar de tudo isso, amor dentro de mim eu tenho!