quarta-feira, 30 de setembro de 2009

HOJE EU VOU ASSIM!

Ponto - pon-to: Sinal, marca ou mancha de dimensão mínima e formato arrendondado; pingo; pinta; furo feito com agulha enfiada em qualquer tecido; pedaço de linha que fica entre dois furos de agulha; matéria, assunto em disciplina escolar; sinal semelhante ao que deixa uma picada de agulha; pequeno adesivo que une bordas de ferida ou veda o sangue; limite ou intersecção de linhas; a extensão em abstrato, sem dimensões; sítio, passagem, lugar determinado, local; estado de questão; sinal de pontuação com que se encerra período; sinal usada em abreviaturas (ponto abreviativo) e sobre o “i” e o “j”; cada uma das pintas nas faces dos dados ou nas cartas do jogo, indicativas do respectivo valor; fim, termo; tempo marcado, ensejo; conjuntura; livro em que se marcam as faltas; grau ideal de cozimento de um alimento; grau na escala de medidas; ...

É. Parece que o ponto significa mesmo um tanto de coisas. Não é só um sinal de pontuação. É o ponto que encerra ciclos e abre espaço pra que outros se iniciem. É só o ponto que sabe a hora de parar e, portanto, a de começar. É ele que faz com que a gente entenda tudo. Ele permite que vivamos tudo o que existe antes dele intensamente, mas nos lembra que tem hora marcada pra acabar. Mas quem foi que disse que tempo limitado é ruim? Sinceramente, se a gente soubesse a hora das coisas terminarem tudo ficaria muito mais bonito na memória. As lembranças amargas dariam lugar apenas as doces recordações, registradas em retratos silenciosos que pra sempre farão sorrir. É o ponto (e não a vírgula, como dizem) que nos dá a paz, o descanso, a tranqüilidade. Que nos faz pensar e entender que nada, absolutamente nada, é por acaso. E que toda frase é bendita e bem dita. A vírgula é simplesmente um sinal de pontuação que pausa tudo por tempo determinado. Mas o ponto, esse sim tem o poder de determinar o tempo das coisas com sabedoria. Nada termina antes do fim, e isso é extremamente consolador. Não precisamos sofrer muito se entendermos que pontos sempre vêm para o bem. Se entendermos que é assim mesmo em toda parte: as pessoas chegam, as frases começam com uma alegre letra maiúscula, as pessoas nos conquistam, a frase começa a ganhar sentido, nos sentimos felizes por tê-las ao nosso lado e é exatamente nessa hora que elas se vão e o ponto, aquele cruel e insensível, entra em ação. É justamente no ápice. Pra ficar eterno sem ser infinito. É assim mesmo que tem que ser. O ponto propõe o desapego, simplifica tudo, divide tudo igualmente, sem complicar. O ponto mata todas as noites reticentes e todas as exclamações desenfreadas, mas nos traz a consciente realidade que, de um jeito ou de outro, manda todo dia na vida da gente.

O ruim é que só aprendemos a ser ponto bem mais tarde. Confesso que ainda não aprendi. Ainda me perco em todas as possibilidades das reticências, em toda euforia da exclamação, em toda insegurança da interrogação, em todo o receio da vírgula e em toda entrelinha dessa pontuação. Ainda acho muito difícil que tudo exista sem maiores detalhes, sem muitas emoções. Ainda acho difícil virar as costas e passar de palavra pra ponto assim, sem chorar um pouco. Ainda acho difícil colocar algum limite no meu coração, logo nele, que nunca teve freios ou controlar sentimentos e me posicionar fria e indiferente a tudo atrás de mim. Acho, digamos impossível, deixar de lado toda minha sensibilidade que me liberta e aprisiona incontestavelmente a troco de um fim, ainda que este seja a minha única saída. Eu gosto das saídas que não existem. Eu gosto de tudo o que não existe e me apaixono facilmente por pessoas que não conheço, é esse o meu castigo. Quero sempre mais de tudo do que o tudo pode me oferecer e não termino nunca. Minha frase é infinita, sempre foi. Meu coração é permeável, transparente, sonhador e até tem asas, mas não é resistente à quase nada. Eu literalmente não sei e até me recuso a resistir. Me recuso a ser forte o suficiente pra impor um final àquilo que eu não quero que seja finito. Não quero um ponto que me limite, sufoque, aprisione. Quero ter o direito de não saber o que dizer... De não saber o que sentir!!! Ou de simplesmente não saber? É. Me permito ser frágil e bagunçar tudo dentro de mim pra só arrumar quando for preciso. (É que eu tenho fases.)

E o que eu desejo nesse momento, pra mim e pra você, leitor, é que a gente saiba o ponto certo pra usar. A nossa vida é feita de escolhas, isso todo mundo sabe. Ou diz que sabe. Mas pouca gente sabe escolher direito. E nem deve. Acho que os erros são sim, construtivos quando o errante realmente quer aprender com eles. Mas que hoje, a gente consiga parar pra pensar e decidir com que ponto estamos. Com que ponto vamos. Pra nos assumirmos por inteiro, seja como for. Porque se assumir é a maior delícia à que temos direito.

Hoje eu vou assim!

terça-feira, 14 de julho de 2009

CADA UM SABE A DOR E A DELÍCIA DE SER O QUE É.

Descobri-me difícil. Difícil, difícil, difícil. O que é, afinal, esse problema interpessoal de ser difícil? Será falar a verdade? Será se fantasiar de forte e no fundo ser frágil? Será fazer tempestade em gotas d’água? Será deixar o coração falar sempre mais alto? Será não ter medo de dizer o que se sente e o que se pensa? Será arriscar tudo em busca do que se sonha? Será não saber dizer eu te amo até ter certeza de tal amor? Se isso tudo fechar o pacote pra uma pessoa difícil, então eu dou a testa pra que me rotulem. Eu realmente sou difícil. E assumo cada pedacinho meu com extremo orgulho em SER. Sou difícil quando respeito meu próprio coração acima de tudo e já não permito que ninguém o desrespeite por mim, porque nem eu tenho esse direito. Sou difícil quando equipo esse mesmo coração com toda a coragem do mundo e com mil alto-falantes e assumo todas as conseqüências do que esse coração difícil e errante pode dizer. É isso mesmo. Eu assumo todas as conseqüências, corro todos os riscos e canto sem censuras e sem pudor. Nunca me importei (e realmente não me importo) com o que pensariam de mim. Chata, sistemática, anti-social, antipática e o que mais você quiser. Mas sincera. Nunca sofri calada e definitivamente nunca vou sofrer. Não penso quase nunca. Raramente. Eu só sinto. E esse é o azar que EU assumo. Não penso pra falar e nem pra agir. Mas sinto muito antes de mais nada. É que o sentir não barra nada. Pelo menos não o meu sentir. Acho que meus verbos são AMAR e EXPRESSAR. E eu considero justa toda forma de amor. E eu considero justa toda forma de expressão. E faço quase tudo que me pedirem, mas não caio no senso comum. Não me expresso com simples e vulneráveis “eu te amo”. Amo do meu jeito e torço pra que percebam. Porque amor... Amor dentro de mim eu tenho!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

LUIZ CARLOS.


(Eu poderia inventar um título mais criativo, ou mesmo mais inteligente. Mas, se tratando de você, eu quero as palavras mais simples. Se tratando de qualquer sentimento, é melhor assim. Sentir não se explica.)


Algumas contáveis camisas. Não muitos sapatos. Quase dois metros de altura. Alguns poucos quilos. Muitos livros de história. Três filhos. E paixões sempre vivas. Alguns anos policial. Outros, professor. Mas uma vida inteira de fidelidade aos próprios sentimentos. Cabelos já um pouco grisalhos. Um coração livre de preconceitos e livre de amarras. Idéias inusitadas. Muito conhecimento, muita vivência, muita maturidade e pouca informação inútil. Algumas brincadeiras idiotas (mas até que eu estou me acostumando). E, a partir de hoje, quarenta e sete anos. Ou, como você costuma dizer, quatro ponto sete. Franciscano. Simples de coração.


Às vezes fico pensando o quanto tenho aprendido com você e o quanto você tem mudado a minha vida, a minha visão do mundo, os meus pensamentos (conservadores ou não) e as minhas verdades, que me eram inseparáveis. Você me faz rever meus próprios conceitos e questionar meus próprios ideais. E como esse auto-questionamento tem me feito bem! Não é por causa da revolução russa, nem da segunda guerra mundial e muito menos do renascimento que você tem sido tão importante. Não é por nada disso, que eu poderia aprender com qualquer outra pessoa. Você se torna tão ESPECIAL, no sentido mais amplo, profundo e sincero da palavra, por tudo o que eu nunca aprenderia com outro historiador. Você se torna único por causa das provocações, que têm me levado a pensar, repensar e, na maioria das vezes, chegar a conclusões às quais eu jamais chegaria sozinha.

Me lembro bem do dia em que você me disse que eu sou uma pessoa complicada. Acho que, no fundo, eu sempre quis escutar isso. Fiquei pensando. Bem que você disse que História é do ser humano. Você enxerga as pessoas. E, como que num raio X, enxerga o mais difícil: o coração. Li em “O Pequeno Príncipe” que o essencial é invisível aos olhos. É a sua sensibilidade aguçada que faz do convívio com você algo... Digamos, irresistível. Inovador. Diferente. E sempre, por mais que se passem os anos, sempre novo.


É você que levanta de madrugada pra cobrir os filhos numa noite fria. É você que vai trabalhar de ônibus, mesmo tendo carro. É você que não é vaidoso. É você que conhece o mundo em todos os tempos e nunca duvidou de Deus. É você que não grita. Que não retruca. Não briga. É você que nunca bate de frente. É você que poderia ser e pensar igual a todo mundo, mas escolheu ser diferente e assumir essa diferença. É você que dá valor às coisas mais simples. É você que percebe os pequenos detalhes do dia-a-dia. Os pequenos detalhes das pessoas que nem as próprias pessoas perceberam. É você que acredita nos sonhos. Que acredita na paixão sincera e verdadeira e que espera do mundo algo totalmente diferente.


Eu queria fazer uma coisa muito banal, mas que eu te juro que, neste caso, é de coração. Queria agradecer por você existir. Não sei se agradeço ao Deus, ou à natureza divina ou a você mesmo por, além de existir, insistir em ser quem você é. E eu te garanto que tem valido a pena. Que eu tenho mudado e pra melhor muita coisa em mim por tudo o que você fala e por todas as coisas nas quais você acredita. Eu tenho mesmo muita sorte.


Feliz 4.7!


Silvia Prata

4 de junho de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"SOU UM CORAÇÃO BATENDO NO MUNDO."

Vejo o mundo por ângulos inusitados que se fundem às mil sensações despertadas em frações de segundos e me confundem. Sensações que me remetem à um imaginário infinito e pleno, muito próximo do infinito azul em que me encontro. A cada intervalo de tempo, uma nova imagem é formada pela imensidão que toma novas formas conforme o lugar ao céu que eu passo a ocupar. Dentro de mim não há vazio algum, ainda que eu me encontre dispersa e sozinha nesse céu. Tento descodificar o embaraço que em mim se faz pela simplicidade do voar que eu, até então, desconhecia. Não sei o que fiz com os medos que agora não mais encontram espaço em mim. Não mais ocupam esse meu coração que, no ar, toma uma proporção gigantesca e passa a não se conter na minúscula matéria que se faz minha. Meu coração, nesse céu tão imenso, deveria parecer pequeno. Mas, pelo contrário: ele se torna tão maior que chega ao ponto de eu ter que expulsá-lo de mim para que, por fim, eu possa encontrá-lo tão livre quanto estou agora, voando.
Lá do alto vejo os prédios, as pessoas, os carros. Vejo tudo e, pela primeira vez, sou apenas observadora, sentindo-me avessa a essa realidade que, no fundo, bem lá no fundinho, ainda me pertence. Vejo toda a matéria envolta pela atmosfera e eu. Do ar, a Terra parece miúda e o coração das pessoas também. Só mesmo o mar, que é criação divina, ainda se faz imenso e eterno. Já as estrelas, todas elas sorriem pra mim, que passo a fazer parte de um infinito celeste e me misturo à constelação. Sou quase uma dessas estrelas a quem todos lá embaixo fazem pedidos o tempo todo. Sou quase um anjo agora. E estou muito perto de Deus.
Já não sou a mesma. Voar me deu a certeza imediata de que há muito pouco do que eu era em mim. Sinto uma ponta de vaidade por tudo o que me tornei em tão pouco tempo e passo a achar que todo mundo deveria voar pelo menos uma vez na vida. Aqui no céu eu me sinto de tudo. E acho que sou tudo ao mesmo tempo. Um pouco artista, um pouco autista, um pouco alegre, um pouco triste. Um pouco humana, um pouco anjo. Conserto: Sou mais que humana. Tenho um coração poeta, tenho asas e tenho coragem suficiente pra voar.

quarta-feira, 4 de março de 2009

AMOR E PAIXÃO


O dicionário diz:

Amor: Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem; Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou a uma coisa.

Paixão: Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão; Amor ardente; Inclinação afetiva e sensual intensa; Entusiasmo muito vivo por alguma coisa; Atividade, hábito ou vício dominador.

O meu coração pode até, vez ou outra, se confundir. Mas o Aurélio não mente. Paixão e amor: qual seria a diferença? Onde será que termina um e começa o outro? Ou será que os dois sentimentos são inseparáveis e confundíveis?

Fomos habituados a entender a paixão com uma certa vulnerabilidade. Estou errada? Uma ardência efêmera que vai embora com a mesma facilidade, rapidez e descontrole com que chega. Paixão é o diagnóstico que nossos pais fazem de tudo o que sentimos enquanto somos jovens. Pela vida, pelo outro, pelo que fazemos, por um ídolo ou pelo que quer que seja: é sempre a paixão avassaladora, inconseqüente, atrapalhada e muitas vezes até errante. Dignos de se apaixonar, com toda a intensidade que a paixão carrega. Com direito a todos os sonhos impossíveis, malucos, incoerentes. Com toda a pressa e o suor da juventude. De todo o coração.

Mais tarde, nos tornamos adultos e ganhamos o direito de amar. Afinal, amar seria algo sério demais pra nossos coraçõezinhos pequenos que, aos olhos do mundo, mal sabem distinguir um sentimento do outro. Agora sim, amamos de verdade. O amor sim é seguro, é calmo, é tranqüilo, é pra sempre. Não é assim que a gente aprende? O amor é pacífico, saudável, tolerante, tem chances de ser eterno e pede casamento, compromisso, hora e encontro marcado. Dignos de amar, com toda a serenidade e seriedade que o amor carrega. Com direito à amizade, companheirismo e fidelidade pra vida toda. Até o fim da trilha. E com todo o comprometimento da maturidade.

Fomos ensinados que a paixão vai embora e deixa apenas o amor. Sozinho na estação esperando um trem que nunca chega. O amor ali, plantado. Esperando algo que o faça sentir e que desperte o que quer que seja. E a paixão nunca mais volta, leva embora consigo tudo o que é belo, novo, encantador. É assim a vida cônjuge da maioria dos casais. E é assim mesmo que todo mundo diz que tem que ser. Se fica o amor, as pessoas continuam juntas, mesmo sem intensidade, sem pressa, sem loucura, sem inconseqüência. É um sentimento maduro, livre das turbulências, dos encontros e desencontros inesperados, das surpresas, dos beijos intermináveis. É uma convivência monótona que, lá fundo muitas vezes carrega consigo um desejo de libertação. Não seria vontade de libertar-se do outro, mas de libertar-se daquela mesma realidade que persegue há anos sem mudança. Sem nada acontecer sem que haja milhões de planos ou agendas de mil folhas. É uma repreensão quase absoluta, um verdadeiro cárcere.

Conheço alguém cujas idéias são realmente revolucionárias e inusitadas que me disse que não acredita no amor pela companheira. Mas que acredita em algo muito maior: a paixão. Apaixonar-se todos os dias pela mesma mulher. Parece lindo até aí, não é? Mas não amá-la. Parece rude e até meio “animal”, certo? À primeira vista, entendemos a paixão como algo unicamente instintivo. E talvez até seja. Confesso que a princípio a idéia me chocou e eu preferi nem pensar a respeito pra não correr o risco de concordar, porque seria duro desacreditar no amor pelo ser tão procurado, essa tal alma-gêmea.

Será que essa paz de quem ama não seria justamente quem tira a euforia da paixão? Será que não é justamente o amor que faz as relações perderem o ápice, a inquietude, a loucura, o desejo, a tentação, a perdição? Será que o amor não é mesmo o encontro errado e marcado quando, na verdade, o que sustenta a relação é justamente o imprevisível? Que ironia se for mesmo assim! Logo o amor que é o que a gente mais procura, é o assassino cruel das emoções. O Aurélio mesmo confirmou que a paixão é um amor ardente. Então, a paixão é mais que amor. É o complemento do amor que, quando morre, reduz todas as reticências à simples pontos finais. Noites nunca mais serão mal-dormidas, regadas de insensatez. Dias não mais serão cheios de saudade e ansiedade para a noite que está por vir. Porque essa noite será como todas as outras. De sono. E não mais de sonho. Quem ama respira enquanto quem se apaixona – e o melhor, se apaixona todo dia – sempre, sempre inspira.

Então eu grito:

AFRODITE: TRAGA-NOS DE VOLTA A INS-PIRAÇÃO!

domingo, 1 de março de 2009

QUALQUER COISA QUE SE SINTA

O que eu quero é o estalo dos dedos. É o morder da maçã. É o beijo roubado. É o encontro não marcado. É o choque. É a felicidade, é a tristeza, é a raiva, é o amor e é o que mais vier e se apresentar como sentimento. Eu quero é o sonho que ninguém nunca sonhou. Mas que mesmo assim virou realidade. O pensar é longo. Demorado. Introspectivo. Devagar. O sentir é furioso. Agudo. Desesperado. Inesperado. Eu quero a surpresa, e não mais o mistério. Chega de investidas investigadas. Chega de procurar o que eu não conheço e temer. Eu quero o encontro. A descoberta. A vida.

Mil idéias ao mesmo tempo. Um turbilhão de emoções que vêm à tona de repente e me deixam frente a frente comigo mesma numa descoberta explosiva do eu que eu mesma desconhecia. Quero quebrar um espelho agora, e ter sete anos de sorte. Tem jeito? Não me interessa o ouro que se esconde atrás do arco-íris. Quero justamente o pote que guarda esse ouro. Tem explicação? Quero entrar em uma espécie de êxtase profundo. Quero até o oriente. Quero norte e sul. Quero você, que eu não conheço. Que talvez não exista. Que eu não sei onde mora. Que eu não sei se fala português. Mas que fala a mesma língua do meu coração. Quero você, que vai me fazer intensa na dor e na alegria. Que vai me fazer gritar, cantar, sorrir, chorar, sentir e, finalmente SER. Que vai filosofar comigo por noites e dias sem se cansar. Quero você, que vai me fazer sentir a liberdade que eu tanto procuro, mesmo quando eu estiver nos seus braços.

Risca em pedra e palavra o meu nome.
Rabisca em corpo e alma o meu amor.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

QUE CHEGUE LOGO A QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Eu não gosto de carnaval. Pois é. Sou jovem e não vejo graça alguma no carnaval. Sou a constatação pura do que é contradição. Adoro cores e até gosto de estar feliz, é bacana. Mas acho que a alegria do carnaval é desespero. Acho que todo mundo no carnaval engana a si mesmo. Quando bebe demais, se droga demais, faz sexo demais, quando beija todo mundo sem saber o nome e sorri o tempo todo, quando soa, quando fede no meio do povão, quando se diz feliz. Carnaval é a melhor enganação que inventaram. O maior desconto pra esse povo pobre e podre que gasta o escasso dinheiro num desafio ao próprio corpo, em todos os sentidos. Numa superação ridícula. Quantos eu consigo beijar numa só noite? Com quantos eu consigo transar no carnaval? Quanto álcool eu consigo beber numa só noitada? Carnaval é sim, a melhor pedida para o brasileiro que insiste na idéia descabida de que ler não é importante. Que ainda acha que muito mais vale diversão do que conhecimento, sendo que até pra diversão ser bacana o conhecimento é necessário. Tudo sem conhecimento não vale nada. E é por isso, exatamente por isso, que o Brasil não vale nada.

Pode parecer meio antipático da minha parte (e na verdade, é), meio anti-social, meio careta e o que mais você quiser que seja. Aliás, diga a meu respeito o que você quiser, tudo bem? É isso aí. Eu não gosto das musiquinhas do carnaval, eu detesto as cantoras que sobem no trio elétrico (e isso inclui SIM, aquela esquizofrênica que se diz Joelma e que todo mundo já está cansado de saber que foi traida pela lua). Acho ridículo o dinheiro que é gasto pelas escolas de samba e mais ridículo ainda aquelas mulheres semi-nuas (as que estão desfilando e as que não estão mas que querem dar).

Resumindo: eu acho o carnaval a data mais besta do calendário. Aliás, quem souber o que é comemorado no carnaval, por favor, me conte. Porque até o dia das bruxas pra mim faz mais sentido.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SÃO DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ.


Nosso zodíaco deve mesmo combinar. Nossos signos devem ser os irresponsáveis – digo, responsáveis – por tamanha atração de almas, corpos e corações. Eu, que andava tão incrédula, encontrei você, que anda sempre tão inalienável, compenetrado. Eu, que sempre gostei que me desafiassem, encontrei você, que me desafia só com o jeito de olhar. Eu te coloco à prova e aprovo. Você me aquece e me enlouquece. Eu te analiso e você me dá um beijo. Você me desembaraça, eu acho graça. Você adivinha o que eu quero e eu, com os dois pés atrás, invento outra coisa pra não confessar que você é quase um bruxo. Você beija meu sorriso e abraça meu coração. Você me invade, eu não aceito. Como é que pode? Que laçada foi essa?

Eu te digo: você é um perigo. Você me diz: você é meu amor. Essa paixão que eu julgava indigerível, agora me mata de fome. Fome desse sabor que é ser de você. Logo eu, que quando criança adorava casos de detetive e aventuras, encontrei você que por si só é um mistério pronto. Um prato cheio pra mim. Uma paixão que nem cabe no peito de uma apaixonada declarada como eu. A paixão por tantas coisas já ocupava todo espaço e agora veio você e eu não sei como encaixar. Que façanha essa sua de inventar de me conquistar. Que coragem essa sua pra despertar tanta coisa em mim que eu te dei certeza que não existia e acabei quebrando a cara. Porque tudo, como você previu, existia. Responde como foi que você entrou assim na minha vida, no meu celular, na minha casa, nos meus dias, nas minhas fotos, nas minhas melhores lembranças, no seleto grupo das pessoas que eu amo de verdade, nos meus pensamentos mais íntimos, nos meus sorrisos, no meu coração? E o meu pára-choque? Nada amorteceu e deixou você chegar assim, sem que eu ao menos percebesse?

Mas agora não me deixe apenas esse meteórico amor. Não me deixe apenas essa incessante interrogação, essa flecha bem no meio do peito e essa lembrança de ápices que não voltam mais. Já não somos os mesmos e nunca mais seremos. E o que eu tenho pra te oferecer é isso aí: palavras bonitas, alguns livros da minha deusa Clarice Lispector (emprestados, sim?), a insanidade em que eu vivo todo dia e a inteira entrega de mim mesma. Pra você.

ps: O Bate-Coração é SIM, um lugar onde eu me exponho e mostro tudo o que sou, que vivo, que sinto, que amo. Mas nem sempre ele me é um diário. Eu escrevo. Não só o que EU vivo. Ainda que eu procure trazer o máximo da minha realidade pra cá, muitas vezes meus textos são frutos do que eu vejo e da maneira com que eu sinto a realidade de outras pessoas também. Agradeço muito as pessoas que tem acompanhado o blog. É um incentivo, uma motivação enorme saber que o que escrevo, de um modo ou de outro, tem tocado alguém. ( :

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

TEM QUE SER AGORA


É uma emoção inigualável. É uma sensação que não cabe em mim. Não cabe em nada do que eu já senti até hoje. Não cabe no meu dicionário ou no meu quase extenso vocabulário. Não cabe em nenhuma palavra difícil. Cabe melhor no silêncio. Mas o silêncio eu ainda não consigo. É um sentimento que não tem e não pede explicação. É uma coragem desenfreada que não guarda e não aguarda. É uma pressa descontrolada que se funde a tudo o que sou. E me confunde. É uma hidrelétrica dentro de mim em que cada lágrima se converte em energia que impulsiona e me guia. Me leva sem me dizer pra onde. E nem eu quero saber, nem pergunto, nem faço questão. O destino é o de menos. O importante agora é ir. É a partida. A largada. Quero anunciar que de agora em diante só meu coração me guia. É dele a palavra final. É dele a responsabilidade (ou a irresponsabilidade) da escolha de qualquer direção. Nada mais me segura, nada mais me prende ou me amarra a nenhuma razão que meu coração não consiga entender. Quero entrar em campo, com ou sem time. Eu não tenho medo. Quero gritar pro mundo a coragem que eu descobri em mim. Quero chorar a alegria e a tristeza de ser quem eu sou. Quero rir do melhor e do pior que há em mim. Não posso mais esperar. Tenho que explodir e tem que ser agora.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

INTENSAMENTE É COMO EU QUERO VIVER A VIDA


Sou Silvia Prata. Sou cantora. Tenho um ano de carreira profissional. Canto e toco em bares à noite. Sou feliz. Ou pelo menos procuro ser, da maneira mais amarela possível. Gosto de rock. Gosto de MPB. Mas gosto mesmo é de não rotular. Uso lápis cor preta nos olhos. Até quando estou amarela e querendo ser feliz. Uso muito. Uso pra que me entendam. Pra que me enxerguem. Pra que me percebam. E torço pra não chorar. Torço pra não borrar. Tenho pais que me amam. Não tenho amigos. Mas tenho um ídolo, que faz músicas como se me conhecesse melhor que eu mesma, que faz a trilha sonora da minha vida e ilustra todos os meus momentos. Todos os meus sentires. Todos os meus infinitos, intensos, exagerados, suspirosos ou exclamativos viveres. Ele se chama Nando Reis e é alguém por quem tenho uma espécie de admiração maluca, uma quase loucura pra minha coleção. Sim. Eu gosto de gente meio louca. Gosto de cabelo vermelho. Homens e mulheres. Ruivos e ruivas. Acho bacana gente que tem estilo, seja ele qual for. Em nome do estilo vale tudo.

Acho que sou demais. E quando digo que sou demais, não pense que estou me elogiando, porque detesto gente que se elogia. Demais é um advérbio de intensidade. Aprendeu? Anota e nunca mais esquece. Intensamente é como eu quero viver a vida. Talvez seja esse o meu pior erro. Sou extremamente. Sou até cansar. Até enjoar. Excessivamente apaixonada. E dói. E cansa. É triste admitir uma verdade: às vezes me sinto mais completa quando estou triste do que quando estou feliz. Acho que é porque a felicidade plena não existe. Nunca estaremos completamente satisfeitos. Já na tristeza, a gente chega ao fundo do poço e aquilo nos alimenta de uma tal forma que a felicidade e a plenitude passam a existir principalmente na amargura. E é assim que eu gosto de me sentir. Plena. Completa. Complexa. Mas hoje eu estou amarela e plena. Isso é raro. É incontestável o quanto eu sou estranha, extremista e o quanto eu tenho me tornado mais e mais liberalista. Pois é. Preconceitos eu nunca tive. Fui criada assim, fui ensinada assim, com essa idéia mais que correta de que as pessoas merecem igualdade no respeito, nos direitos, nos deveres. Mas ultimamente tenho aceitado quase tudo. Não estou mudando a minha personalidade. Continuo vivendo intensamente pelo simples fato de sentir tudo muito bem. Tá confuso? Não importa. Eu estou vivendo. E até então, nunca precisei de muitas inconseqüências pra garantir isso. Mas aceito numa boa quem precisa. Assumo isso agora, nesse instante. Eu sou intensa só pelos meus sentimentos, não abuso de uma juventude desenfreada, mesmo sendo jovem. Sou intensa quando escuto música, principalmente. Nesse momento é como se eu estivesse cometendo todas as possíveis e bárbaras loucuras que se pode cometer numa vida ou como se fugisse de toda a realidade que aprisiona. E como dói o que aprisiona! Eu tenho é fome. De quê? De liberdade. Tenho vontade de sacudir o mundo. Tenho vontade de que todos me ouçam. E me respeitem. E não me entendam. E é esse o meu objetivo: me desfazer das amarras que insistem em me prender, em me segurar. As amarras que estão dentro de mim são as mais perigosas. E é delas que eu não gosto. Das outras não tenho medo. Com as outras eu bato de frente e canto vitória antes da batalha começar.

Adoro quando minhas idéias se misturam. Acho ótimo quando esqueço do que estou falando. Gosto que me admirem justamente pelas constantes incoerências. Pelos meus exageros. Mas são exageros bons e por isso, dignos de admiração. Exageros no amar. Amar demais dói (e como dói). Mas no fim acaba valendo à pena. Se expor. Se mostrar. Não se envergonhar. Eu não me envergonho de nada do que fiz em nome do amor, porque nunca prejudiquei a ninguém, senão a mim mesma. Nada deu certo e nem por isso eu virei hippie. Sofri. Levantei e continuei vivendo sem arrependimentos. Eu fui completa em todo aquele sofrimento. E se alcancei a plenitude na qual me encontro hoje e à qual valorizo tanto como principal virtude de um ser humano, é porque doeu um dia. Foi dor intensa. E que toda intensidade seja perdoada e eternamente louvada. Que toda insanidade seja incompreendida. Não. Lê direito. É isso mesmo: incompreendida! O bom mesmo é quando ninguém entende. Tenho dito. Queria sair por aí viajando sem dizer pra onde. Sem nem saber pra onde. Assim é que é melhor. Queria nem ter casa. Queria nem ter dono. Queria nem ter nada, só a vida. Só a vida e o amor. O amor que é universal, que não tem explicação. E nem precisa. O entendimento às vezes nos tira toda pureza do sentir. O amor de que falo é bonito e eu o carrego e sempre vou carregar no coração: o amor pelos meus pais, que são as únicas certezas que eu tenho nessa vida.

Sou feliz porque sou uma pessoa de propósitos. Tenho minha vida toda na cabeça. Pode ser que aconteça tudo diferente. Mas sonhar eu sonho. E risco todo o meu caminho pra na hora H acabar me perdendo e me encontrando, infinitas vezes. Não importa. Eu sei onde quero chegar. Só trilhei o mais possível caminho por onde vou passar. Mas esse caminho nem me interessa. Seja o caminho que for, o importante é chegar até a vida de verdade. Até minhas viagens, minha música, minha arte. Até minhas vontades, minha realidade surreal, até o meu hibisco. Que é meu e vive pra me aguardar. Meu hibisco é meu espaço e meu futuro. É meu sonho e minha realidade. E é tudo o que há entre sonho e realidade. Entre eles me há.