quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SÃO DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ.


Nosso zodíaco deve mesmo combinar. Nossos signos devem ser os irresponsáveis – digo, responsáveis – por tamanha atração de almas, corpos e corações. Eu, que andava tão incrédula, encontrei você, que anda sempre tão inalienável, compenetrado. Eu, que sempre gostei que me desafiassem, encontrei você, que me desafia só com o jeito de olhar. Eu te coloco à prova e aprovo. Você me aquece e me enlouquece. Eu te analiso e você me dá um beijo. Você me desembaraça, eu acho graça. Você adivinha o que eu quero e eu, com os dois pés atrás, invento outra coisa pra não confessar que você é quase um bruxo. Você beija meu sorriso e abraça meu coração. Você me invade, eu não aceito. Como é que pode? Que laçada foi essa?

Eu te digo: você é um perigo. Você me diz: você é meu amor. Essa paixão que eu julgava indigerível, agora me mata de fome. Fome desse sabor que é ser de você. Logo eu, que quando criança adorava casos de detetive e aventuras, encontrei você que por si só é um mistério pronto. Um prato cheio pra mim. Uma paixão que nem cabe no peito de uma apaixonada declarada como eu. A paixão por tantas coisas já ocupava todo espaço e agora veio você e eu não sei como encaixar. Que façanha essa sua de inventar de me conquistar. Que coragem essa sua pra despertar tanta coisa em mim que eu te dei certeza que não existia e acabei quebrando a cara. Porque tudo, como você previu, existia. Responde como foi que você entrou assim na minha vida, no meu celular, na minha casa, nos meus dias, nas minhas fotos, nas minhas melhores lembranças, no seleto grupo das pessoas que eu amo de verdade, nos meus pensamentos mais íntimos, nos meus sorrisos, no meu coração? E o meu pára-choque? Nada amorteceu e deixou você chegar assim, sem que eu ao menos percebesse?

Mas agora não me deixe apenas esse meteórico amor. Não me deixe apenas essa incessante interrogação, essa flecha bem no meio do peito e essa lembrança de ápices que não voltam mais. Já não somos os mesmos e nunca mais seremos. E o que eu tenho pra te oferecer é isso aí: palavras bonitas, alguns livros da minha deusa Clarice Lispector (emprestados, sim?), a insanidade em que eu vivo todo dia e a inteira entrega de mim mesma. Pra você.

ps: O Bate-Coração é SIM, um lugar onde eu me exponho e mostro tudo o que sou, que vivo, que sinto, que amo. Mas nem sempre ele me é um diário. Eu escrevo. Não só o que EU vivo. Ainda que eu procure trazer o máximo da minha realidade pra cá, muitas vezes meus textos são frutos do que eu vejo e da maneira com que eu sinto a realidade de outras pessoas também. Agradeço muito as pessoas que tem acompanhado o blog. É um incentivo, uma motivação enorme saber que o que escrevo, de um modo ou de outro, tem tocado alguém. ( :

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

TEM QUE SER AGORA


É uma emoção inigualável. É uma sensação que não cabe em mim. Não cabe em nada do que eu já senti até hoje. Não cabe no meu dicionário ou no meu quase extenso vocabulário. Não cabe em nenhuma palavra difícil. Cabe melhor no silêncio. Mas o silêncio eu ainda não consigo. É um sentimento que não tem e não pede explicação. É uma coragem desenfreada que não guarda e não aguarda. É uma pressa descontrolada que se funde a tudo o que sou. E me confunde. É uma hidrelétrica dentro de mim em que cada lágrima se converte em energia que impulsiona e me guia. Me leva sem me dizer pra onde. E nem eu quero saber, nem pergunto, nem faço questão. O destino é o de menos. O importante agora é ir. É a partida. A largada. Quero anunciar que de agora em diante só meu coração me guia. É dele a palavra final. É dele a responsabilidade (ou a irresponsabilidade) da escolha de qualquer direção. Nada mais me segura, nada mais me prende ou me amarra a nenhuma razão que meu coração não consiga entender. Quero entrar em campo, com ou sem time. Eu não tenho medo. Quero gritar pro mundo a coragem que eu descobri em mim. Quero chorar a alegria e a tristeza de ser quem eu sou. Quero rir do melhor e do pior que há em mim. Não posso mais esperar. Tenho que explodir e tem que ser agora.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

INTENSAMENTE É COMO EU QUERO VIVER A VIDA


Sou Silvia Prata. Sou cantora. Tenho um ano de carreira profissional. Canto e toco em bares à noite. Sou feliz. Ou pelo menos procuro ser, da maneira mais amarela possível. Gosto de rock. Gosto de MPB. Mas gosto mesmo é de não rotular. Uso lápis cor preta nos olhos. Até quando estou amarela e querendo ser feliz. Uso muito. Uso pra que me entendam. Pra que me enxerguem. Pra que me percebam. E torço pra não chorar. Torço pra não borrar. Tenho pais que me amam. Não tenho amigos. Mas tenho um ídolo, que faz músicas como se me conhecesse melhor que eu mesma, que faz a trilha sonora da minha vida e ilustra todos os meus momentos. Todos os meus sentires. Todos os meus infinitos, intensos, exagerados, suspirosos ou exclamativos viveres. Ele se chama Nando Reis e é alguém por quem tenho uma espécie de admiração maluca, uma quase loucura pra minha coleção. Sim. Eu gosto de gente meio louca. Gosto de cabelo vermelho. Homens e mulheres. Ruivos e ruivas. Acho bacana gente que tem estilo, seja ele qual for. Em nome do estilo vale tudo.

Acho que sou demais. E quando digo que sou demais, não pense que estou me elogiando, porque detesto gente que se elogia. Demais é um advérbio de intensidade. Aprendeu? Anota e nunca mais esquece. Intensamente é como eu quero viver a vida. Talvez seja esse o meu pior erro. Sou extremamente. Sou até cansar. Até enjoar. Excessivamente apaixonada. E dói. E cansa. É triste admitir uma verdade: às vezes me sinto mais completa quando estou triste do que quando estou feliz. Acho que é porque a felicidade plena não existe. Nunca estaremos completamente satisfeitos. Já na tristeza, a gente chega ao fundo do poço e aquilo nos alimenta de uma tal forma que a felicidade e a plenitude passam a existir principalmente na amargura. E é assim que eu gosto de me sentir. Plena. Completa. Complexa. Mas hoje eu estou amarela e plena. Isso é raro. É incontestável o quanto eu sou estranha, extremista e o quanto eu tenho me tornado mais e mais liberalista. Pois é. Preconceitos eu nunca tive. Fui criada assim, fui ensinada assim, com essa idéia mais que correta de que as pessoas merecem igualdade no respeito, nos direitos, nos deveres. Mas ultimamente tenho aceitado quase tudo. Não estou mudando a minha personalidade. Continuo vivendo intensamente pelo simples fato de sentir tudo muito bem. Tá confuso? Não importa. Eu estou vivendo. E até então, nunca precisei de muitas inconseqüências pra garantir isso. Mas aceito numa boa quem precisa. Assumo isso agora, nesse instante. Eu sou intensa só pelos meus sentimentos, não abuso de uma juventude desenfreada, mesmo sendo jovem. Sou intensa quando escuto música, principalmente. Nesse momento é como se eu estivesse cometendo todas as possíveis e bárbaras loucuras que se pode cometer numa vida ou como se fugisse de toda a realidade que aprisiona. E como dói o que aprisiona! Eu tenho é fome. De quê? De liberdade. Tenho vontade de sacudir o mundo. Tenho vontade de que todos me ouçam. E me respeitem. E não me entendam. E é esse o meu objetivo: me desfazer das amarras que insistem em me prender, em me segurar. As amarras que estão dentro de mim são as mais perigosas. E é delas que eu não gosto. Das outras não tenho medo. Com as outras eu bato de frente e canto vitória antes da batalha começar.

Adoro quando minhas idéias se misturam. Acho ótimo quando esqueço do que estou falando. Gosto que me admirem justamente pelas constantes incoerências. Pelos meus exageros. Mas são exageros bons e por isso, dignos de admiração. Exageros no amar. Amar demais dói (e como dói). Mas no fim acaba valendo à pena. Se expor. Se mostrar. Não se envergonhar. Eu não me envergonho de nada do que fiz em nome do amor, porque nunca prejudiquei a ninguém, senão a mim mesma. Nada deu certo e nem por isso eu virei hippie. Sofri. Levantei e continuei vivendo sem arrependimentos. Eu fui completa em todo aquele sofrimento. E se alcancei a plenitude na qual me encontro hoje e à qual valorizo tanto como principal virtude de um ser humano, é porque doeu um dia. Foi dor intensa. E que toda intensidade seja perdoada e eternamente louvada. Que toda insanidade seja incompreendida. Não. Lê direito. É isso mesmo: incompreendida! O bom mesmo é quando ninguém entende. Tenho dito. Queria sair por aí viajando sem dizer pra onde. Sem nem saber pra onde. Assim é que é melhor. Queria nem ter casa. Queria nem ter dono. Queria nem ter nada, só a vida. Só a vida e o amor. O amor que é universal, que não tem explicação. E nem precisa. O entendimento às vezes nos tira toda pureza do sentir. O amor de que falo é bonito e eu o carrego e sempre vou carregar no coração: o amor pelos meus pais, que são as únicas certezas que eu tenho nessa vida.

Sou feliz porque sou uma pessoa de propósitos. Tenho minha vida toda na cabeça. Pode ser que aconteça tudo diferente. Mas sonhar eu sonho. E risco todo o meu caminho pra na hora H acabar me perdendo e me encontrando, infinitas vezes. Não importa. Eu sei onde quero chegar. Só trilhei o mais possível caminho por onde vou passar. Mas esse caminho nem me interessa. Seja o caminho que for, o importante é chegar até a vida de verdade. Até minhas viagens, minha música, minha arte. Até minhas vontades, minha realidade surreal, até o meu hibisco. Que é meu e vive pra me aguardar. Meu hibisco é meu espaço e meu futuro. É meu sonho e minha realidade. E é tudo o que há entre sonho e realidade. Entre eles me há.

sábado, 27 de dezembro de 2008

CHUTANDO O BALDE


Outro dia ouvi a seguinte frase: “Chuta o balde e manda embora o seu bofe!” Essa frase é extremamente moderna. E não pensem que discordo disso. Não pensem que na minha romântica cabecinha as pessoas têm que viver juntas a vida toda. E juntas com uma mesma pessoa.

Fiquei pensando que motivos teria uma mulher ou mesmo um homem independente pra não dar um basta em uma situação que não lhe faça feliz. Mas eu entendi os motivos. E entendi muito bem. A contemporaneidade chegou pra mandar direto pro lixo todos os velhos conceitos que hoje permanecem vivos apenas em antigas e tradicionais famílias, geralmente do interior. Mas apesar disso tudo, chutar um balde não é tão fácil quanto parece. E não é pela mesma desculpa que todos os atrasados e desencorajados empregam: os filhos, a dependência financeira, a falta de dinheiro, as complicações de uma separação... Não! Não é SÓ isso. A dependência é muito mais emocional que financeira, ainda mais no mundo individualista em que vivemos, fica claro que uma separação não te assegura encontrar outro companheiro. O medo da solidão chega, às vezes, a ser mais forte do que todos os conceitos inovadores e libertadores que essa época nova nos trás. O medo da solidão chega, às vezes, a ser mais forte do que a certeza de um amor que acabou, de um inferno que existe e insiste em determinar que um relacionamento, definitivamente, não tem mais saída.

Mas ainda assim, alguns permanecem juntos. Mesmo que hoje em dia uma simples palavra torta seja motivo pra se jogar tudo pro alto, voltar pra casa da mãe, pedir o divórcio e partir pra outra porque, como dizem, a fila anda. Sim, é verdade, eu já ia me esquecendo da fila, uma das idéias contemporâneas que julgo ridículas. Ninguém está na fila de ninguém. É como se todos nós fossemos simples objetos a serem adquiridos ou possuídos apenas momentaneamente. E eu me recuso a aceitar que é assim que somos: descartáveis. Porque se você é, eu não sou.

Pois bem. Imaginemos tudo ao pé da letra pra entender o quanto é difícil chutar o balde. Imagine o balde. Imaginou? Agora imagine uma água suja dentro dele. É assim que, possivelmente, está a sua relação. Suja, desgastada, nojenta, podre. Pronta pra ser jogada fora, mas você tem pena. Não é pena de si mesma. Não é pena do outro. É pena da água suja que foi colocada ali com tanto zelo, que de repente, durou tantos anos. E era tão limpa e agora você olha com tristeza para o que sobrou e guarda. Guarda como se achasse que aquela água pudesse, algum dia, voltar a ser limpa. Você não entende que aquela água já era. Que você pode até, junto com a mesma pessoa, tornar a encher o balde. Mas que vai ter que ser outra água. Você não percebe isso, se prende. E por mais desprezível que aquela água pareça, você ainda guarda. Ainda que você mesma já sinta imenso nojo, você não chuta o balde.

Tudo bem. Já entendi o porquê. É muito mais difícil chutar o balde quando você é o balde e parte do que há nele. Achou estranho? Mas é simples. Você, que já viveu um amor desgastado, sabe muito bem que há momentos em que a única que ainda zela pela água suja é você. A única que impede que ela entorne. A única que continua mantendo-a ali. Todo mundo sabe que aquela água é suja. Você também sabe e também morre de nojo, mas ainda a sustenta e mantêm presa. Então você é o balde. Ficou claro? Você sabe que, quando o esperado chute do balde realmente acontecer e a água entornar e cair, você cairá junto, não tem jeito. A água vai continuar correndo e tomar seu rumo, mas você vai ficar ali, no chão, sozinha. Vai virar balde vazio que, sabe-se lá quando estará cheio de novo, afinal, encher aquele balde e purificar sua água foi tão difícil e ainda não durou pra sempre, porque logo a água se sujou. É isso, não é? Pode dizer, confesse. E você passa a se sentir parte da água suja. Aliás, você é. Tanto você dedicou àquela água, tanto você a amou... Tanto de você foi só em prol da água que você pensa que não há suficiente de você em você pra você seguir sozinha. Você é mais pelo outro do que por si mesma. Mas saiba que a gente se regenera. No início a gente é tão pouco sem o outro. Ele roubou tanto de nós, levou quase tudo e só deixou tristeza, amargura e solidão. A geladeira é sua, o freezer é meu. O computador é seu, a televisão é minha. Por mais que tudo tenha sido partido tão justamente, você sente falta de um monte de coisas. Sente falta da sua parte que ele levou. Que ele sugou de você como se fosse um vampiro... Mas cada célula nossa se multiplica, se fortalece e se renova o tempo todo. E logo você terá orgulho de quem é. E só assim alguém terá orgulho de você, orgulho de te amar.

Aí você poderá encher outro balde. Só que dessa vez, eu te aconselho a não deixar de ser você e ter a sua vida pra ser apenas balde de alguém ou da união entre você e alguém. Você e o outro têm que carregar lado a lado. Quanto mais pesado ele estiver, melhor. Mais coisas vocês construíram juntos e mais coisas têm pra dividir. Isso se chama companheirismo. E eu espero que, em 2009, o seu balde se encha de coisas boas e que você saiba filtrar a sua água da melhor forma possível. E que, independente de você carregar o balde sozinha ou dividir o peso com alguém, que você seja feliz e que se orgulhe de você, do seu balde e da sua água. Que ela seja pura, límpida, clara e, SE POSSÍVEL, eterna.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A NOSSA ALEGRIA


Seja quem for
Aconteça o que acontecer
Nada e nem ninguém vai mudar
Tudo isso que eu sinto por você

E o isso não tem nome
Não tem modo, não tem forma
Isso é isso tudo
Que o coração nunca decora

E é por isso que ele dispara
Bate descompassado como o amor meu
E é por isso que a gente continua cantando
A alegria desse tudo que é todo seu

Ator da minha vida
Senhor da minha história
Serei tua flor
Tua cor e tua dor
Mas por favor:

Entenda o meu humor
Que eu adoro o teu odor
Que eu suporto o teu vigor
E esse teu pudor

Faz de mim o teu calor
Do meu beijo, tua magia e poesia
E do meu mais profundo incolor...
A nossa alegria!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

EU SOU GENTE


Gente que se emociona todo dia. Gente que chora e ri e não sabe o motivo. Gente que chora e ri ao mesmo tempo, mas que ri de quase tudo. Gente que faz brincadeira idiota, gente que parece meio doida, mas no fundo sabe muito bem o que quer. Sou gente que escreve escutando Belle and Sebastian (como agora). Gente que tem gastura de piercings no umbigo (!!!), de gente que conversa cutucando (embora eu também cutuque de vez em quando) e mais gastura ainda de que cortem minhas próprias unhas dos pés (???).

Gente que pinta a unha antes de ir dormir e acorda com ela toda amassada e nunca aprende a lição. Gente que passa lápis todo dia e que, de vez em quando, tem inflamação nos olhos por causa disso. Gente que tem os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Gente que quer ser independente e não sonha mais em casar, por achar (e às vezes até ter certeza) que nunca vai encontrar alguém com os mesmos planos, idéias e ideais. Gente que já deixou de acreditar em muita coisa e que, muito cedo viveu coisa de gente grande, mas nunca reclamou disso. (Ela bem que queria ser grande). Gente que tem coragem pra questionar o Deus, o amor, pra questionar a vida e questionar os outros, mas que morre de medo quando o assunto é si mesma.

Gente que muda de humor mil vezes durante o dia e que tem sérios problemas quanto a choques de felicidade aguda e incontrolável, repentinamente. Gente que nem sempre sabe do que está falando, que gagueja de vez em quando e que vive com um “o quê?” na boca, pra ganhar tempo pra pensar no que vai responder. Gente que fala sem pensar, que age por impulso todas às vezes e, por incrível que pareça, às vezes até faz a coisa certa. Gente que tem dó de pouca gente e que chora baixinho antes de dormir de vez em quando pensando o que seria da sua vida sem seus pais. Gente meio boba, meio burra. Às vezes muito sentimental e outras vezes muito fria e calculista. Gente como você. Gente como a gente, que tem um monte de caras, um monte de risadas (da mais escandalosa até aquela do tipo “nem teve graça...”). Gente que tem sua própria personalidade e não é nada influenciável. Gente que sente saudade, raiva, alegria, tristeza (às vezes tudo ao mesmo tempo). Gente que não tem sangue de barata. Não tem teto de vidro. E que aprendeu a não estar nem aí pra quem não tá aqui, me tolerando desses tantos modos.

Esse texto é pra quem tá aqui. Comigo. É pro meu pai e pra minha mãe, que me amam incondicionalmente, mesmo sabendo que eu não sou fácil. Sabendo dos meus venenos, das minhas angústias, dos meus milhões de defeitos, dos meus perigos, dos meus amores. Meus pais são minha única certeza. Eles sim. Sabem de tudo. Sempre souberam. Sempre fizeram parte. E sempre vão estar aqui. Sabendo das minhas fraquezas, medos, crises. Conhecendo meu sono e meu sonho e lutando pela minha felicidade tanto ou mais que eu mesma. Sabendo da minha gula com comida gostosa e das minhas manias mais idiotas. Mas sabendo ainda que, apesar de tudo isso, amor dentro de mim eu tenho!

domingo, 31 de agosto de 2008

DA COR DE UM ABRAÇO




Você tem os olhos da cor do mato
Da cor dos meus
Da cor de um abraço

Você tem um sorriso de galã
Que sempre me impede de prestar atenção no que você fala
Enquanto sorri, sorri, sorri
(Sim, você é o cara mais bonito que eu já vi.)

Porque você fica bonito até de óculos
E é o único homem que conheço
Que fica lindo de barba
De bermuda, de moletom, de gravata...

Você conversa segurando a minha mão
Você conversa segurando o meu coração
Você sabe que me tem na mão
Você sabe que tem meu coração

E, por enquanto, meu amor
Eu só te olho com o canto do olho
Mas o dia que o meu olhar tropeçar no seu
E por ali se encontrar...

Nesse dia a gente vai saber
Que não há tempo a perder
Que agora é hora de viver
Que agora é hora de se perder
E se encontrar um no outro
Todo dia.

Nesse dia eu vou de novo
Jurar que é pra sempre
Amar intensamente
E ficar (e não ser) feliz ao lado seu.


(porque SER feliz não existe.)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"A gente morre é pra provar que viveu."

Se tem uma coisa que eu já aprendi nessa vida (to tentando colocar em prática) é deixar as pessoas que eu amo sempre com palavras carinhosas, porque, já dizia William Shakespeare: “pode ser a última vez que as vejamos”. Isso é cem por cento verdade, e se a gente pensasse mais à respeito, poderíamos evitar muita dor e arrependimento pelo não dito (ou pelo mal dito). A gente nunca imagina, nunca passa pela nossa cabeça, quando pode ser a nossa última vez com alguém. Você aí, que tem um namorado, marido, um filho, pai e mãe vivos, um amigo inseparável, um amor impossível ou alguém de quem você goste de verdade... Já imaginou que qualquer minuto e instante e segundo pode ser o último? O risco é inevitável. “Até quando?” é uma pergunta sem resposta. Sabemos que existimos, mas essa nossa existência é só uma viagem, uma passagem.

A gente tem validade sim, uma validade que desconhecemos e só cabe ao destino deixar tudo acontecer na hora certa. E até o amor que sentimos tem validade. Lembre-se de quantos “eu te amo” você já disse na vida. Talvez metade desses amores já tenham sido destruídos pelo tempo, distância, desgaste, rotina... Ou separados pelas próprias circunstâncias da vida. Ou já tenham morrido amassados por um dos lados, que simplesmente não amou (amor não é de alma, é entre almas). Não. Definitivamente: não é só a morte que separa. Se fosse assim, seria mesmo muito belo, do jeitinho que o padre e Deus querem que seja. Mas infelizmente, meu caro, os sentimentos são tão vulneráveis que qualquer pedrinha no caminho, faz e desfaz o amor. Constrói e desconstrói. Tudo rápido assim, com a velocidade da luz.

É. Com a mesma velocidade com que o Palace II desmoronou. Com a mesma velocidade com que as torres gêmeas desabaram. Com a mesma velocidade com que o avião da TAM bateu no prédio da própria TAM e matou 197 pessoas. Uma mãe que permitiu que suas duas únicas filhas viajassem com a avó para o exterior nunca imaginou que ficaria órfã e perderia seus maiores tesouros. Nunca imaginou que aquela despedida acompanhada de beijos e muitos “Volta logo, que eu vou morrer de saudade!” seria o último “adeus”, o último beijo, o último abraço, o último EU TE AMO. Se a gente um dia vai ou não ter a chance de reencontrar quem já se foi em outro plano, outra vida ou outro engano... Isso é incerto. O que a gente tem que fazer é viver cada minuto como se fosse o último.

E não foi só a vida dessas 197 pessoas que acabou ali, junto aos destroços do avião, junto ao fogo e à tristeza. E os amigos, o namorado, a esposa, os filhos!? Cada morte leva embora junto consigo muitos sonhos, planos, amores... Muitos desses poderiam ser eternos. Ou não. É importante lembrar que, o que é de verdade não se apaga assim. A gente não sabe o que nos espera depois dessa vida, a gente não sabe se a nossa vidinha tosca vai acabar na próxima esquina. A gente também não sabe se teremos a chance de dizer a quem amamos um último adeus. E nem sabemos se nossa existência é vã ou não. Sabemos quem somos e o que sentimos, mas não sabemos até quando. É por isso que eu desejo a você, caro leitor, sentimentos sinceros e duradouros. Eu desejo que você viva intensamente cada minuto pra, que não ao morrer, descubra que não viveu. E que você ame com toda força que seu coração tiver, até o último instante. Até o último instante de eternidade...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

13 de agosto de 2007

Querida Silvia,


As contrações começaram... Esperei por uma hora aproximadamente para certificar-me que continuariam. Ligamos para o médico que havia acompanhado toda a gravidez relatando tudo o que eu estava sentindo. Ele pediu que nos dirigíssemos para o hospital. Infinitos sentimentos e emoções atordoavam meu coração fazendo-o bater aceleradamente. Eu já havia desenhado seus olhos, sua boca, seu nariz, seus cabelos.. Já a conhecia em cada detalhe, coisa de mãe talvez... E cada minuto que se passava mais perto estava o segundo de chorarmos juntas pela primeira vez. Era noite e durante toda ela as contrações continuaram até que o dia amanhece e às nove horas e quarenta e cinco minutos de uma manhã ensolarada o cordão umbilical foi cortado. E tudo se transformou numa emoção que palavras não podem descrever. Seu choro forte e o meu silencioso se confundiam naquela sala grande e cheia de luzes. Quando perto de mim você chegou consegui acariciar-te o nariz e te disse: você é linda!!! Era dia primeiro de dezembro. Ela, Silvia cheia de luz e beleza brindou nossas vidas enchendo-a de encantos e felicidades nunca sonhadas. Silvia, Silvinha, Sil. Transforme sim tudo ao seu redor. Seja sempre luz por onde passar. Canalize a energia da sua inteligência para se tornar cada vez mais sábia não se esquecendo nunca que devemos sempre compartilhar.Que o seu coração nunca se canse de bater, acreditar e sentir. Que o senso de justiça que lhe é nato permaneça por toda a vida tornando-a cada vez mais uma fera-mulher muito especial. TE AMO SILVIA, DAQUI ATÉ A ETERNIDADE!!!
Silvana.



Estas palavras recebi de minha mãe ano passado e hoje compartilho esse amor tão sincero que tenho o prazer de receber todos os dias com vocês!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

PINGOS NOS ÍS.

Preciso das pessoas mais que elas possam imaginar. Mas tem dias que gosto (e até prefiro) estar só. Admito e grito que sou da religião do AMOR. Honro meus princípios e aquilo em que acredito. Embora seja extremamente amorosa, às vezes sou áspera. Arranho feito farpa, embora amor dentro de mim não falte. Não tenho medo de amar. Quando gosto de alguém, gosto de verdade. Sou muito exigente comigo mesma, o que reflete na minha convivência com o outro. Então digamos que cobro da relação como um todo e não de mim e do outro separadamente. Abomino todo e qualquer tipo de preconceito. Prefiro estar perto de quem deixa fluir o que vem do coração.

Gosto dos dias mais quentes. Prefiro as noites de lua cheia. Prefiro guaraná à coca-cola. Amo chocolates, principalmente Diamante Negro. Gosto de brincos de argola, lápis de olho e perfume Flagrant, da Água de Cheiro. Minha cor é vermelho. Quando fico muito triste minha primeira e mais forte reação é dormir, o que não significa descaso.

Não sou pacífica. Tenho personalidade forte, não sei esconder o que penso e o que sinto. Não gosto de gente indecisa. Não gosto do morno, do quase. Não me adapto, não me acostumo e não aceito as regras pré-estabelecidas pela sociedade, luto por aquilo que acho certo e considero justa toda forma de amar! Penso no tempo exato em que falo quase sempre. Escrevo melhor do que falo e não sei calar meu coração. Exageradamente sentimental, choro com livros e filmes. Choro com injustiça. Choro de raiva, de medo e de loucura. Assim. Sem motivo...

Apaixonada por arte. Arte de falar, escrever, tocar, cantar, encenar, dançar. A música... Minha paixão maior! Ar que eu respiro. Meu ponto de equilíbrio. Minha vida! A Dança do Ventre, que me faz sentir bonita, que chegou em minha vida para que eu pudesse desenvolver amor-próprio e auto-aceitação. Aprecio também uma boa leitura. Os livros estimulam os sonhos, a imaginação, a fantasia. Escrever é a minha terapia. Escrevendo liberto meus demônios. Letra e palavra não sabem viver separadas e é aí que mora minha poesia.

Gosto mesmo da palavra amor. Não morre...